sexta-feira, 6 de maio de 2016

Frelimo joga Moçambique para latrina

De um país próspero e promissor, com uma das maiores centrais hidroeléctrica do mundo, transporte de águas profundas, invejáveis infra-estruturas ferro-portuárias, minas de carvão, grandes jazidas de gás natural, milhões de hectares de terra arável por explorar e com 60 rios com curso permanente de água, apesar do seu imenso potencial em recursos naturais, Moçambique pertence ao pelotão dos países mais pobres do mundo, com uma dívida pública insustentável, irresponsável e criminosa, devido a política serradas seguidas pelos sucessivos governos da Frelimo, desde que Moçambique se tornou independente, a 25 de Junho de 1975.
A exclusão, a discriminação com base na filiação partidária (até cantam orgulhosamente e bem alto que “quem não é da Frelimo, o problema é dele”), a corrupção, a arrogância e o abocanhamento das riquezas nacionais por um punhado de indivíduos têm sido um problema crucial para o nosso desenvolvimento colectivo como um povo e como nação. A hegemonia política e a distribuição discriminada da riqueza nacional são uma importante fonte de conflitos politico-militares no nosso país.
A corrupção, nas instituições públicas virou uma prática comum. O antigo chefe de estado era conhecido como o “Mr. 5%”, em alusão à sua postura de exigir, pelo menos, aquela percentagem do capital a investidor como condição para a instalação de qualquer projecto, ainda que a abandeira de campanha eleitoral de Armando Guebuza fosse de combate à corrupção. Porém, este mal não foi apenas o modus operandi do ex-estadista como também a tornou endémica. A mobilização de mais de 12 aeronaves, a começar, enquadrava-se na estratégia de acumulação primitiva do capital através de comissões.
A usurpação de poderes do parlamento para a sua pessoa, no alto endividamento público, na aquisição de armamentos, visava, tão-somente, obter as choru das comissões que este tipo de negócio sempre proporcionou. O ex-estadista moçambicano esteve presente em tudo que cheirasse dinheiro. A nomeação de primeiros secretários do seu partido e equipará-los aos cargo de governador de provincial tinha em conta receber deles a obediência total porque podia chantageá-los quando quisessem incomodar o grande chefe.
A negociação das mais-valias da ENI, multinacional italiana que pesquisa gás natural na Bacia do Rovuma enquadra-se na estratégia da grande corrupção. O custo da construção do Aeroporto Internacional de Mavalane, em Maputo, estava calculado em 62 milhões de euros, mas acabou em 162 milhões de euros. Porquê esta extrapolação dos valores? O dinheiro ficou nos bolsos de quem? É uma pergunta pertinente a responder pelo “filho mais querido do maravilhoso povo da Pérola do Índico”, como era chamado o antigo estadista moçambicano pela sua turma da molekada.   
O primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, pessoa que até há bem pouco tempo alimentava alguma esperança de idoneidade, disse que o governo não levou ao parlamento a estratégia sensível de endividamento porque estão lá parlamentares que, de dia fazem política e anoite promovem assassinatos, deitou abaixo o pouco que restava daquele convento satânico. É tanta besteira junta para um só governo.
Os que promovem aauto-estima não hesitaram em ir à Washinghton DC prestar contas ao seu verdadeiro patrão – Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Foram às corridas e com as calças pelo joelho para explicar a sua malandrice e gatunagem. Faltou apenas dizer que vão ao FMI e Banco Mundial porque a Renamo não tem assento naquelas instituições financeiras. Só a falta de vergonha pode permitir esta gentalha levantar a cabeça e andar na rua sem procurar um esconderijo.
Depois da máscara cair por terra, fica ridícula a figura de Filipe Nyusi prosseguir com a sua ladainha de que “o povo é o seu único e exclusive patrão”. Não se nega um a informação relevante ao seu verdadeiro patrão sobre a vida do país. Os deputados de facto estão no parlamento por terem sido eleitos pelo povo e a sua presença naquela magna casa não é nenhum favor da Frelimo, à excepção dos que ocupam assentos através da ajuda fraternal da FIR, STAE, CNE e do Conselho Constitucional.
A  Frelimo aposta na violência para se manter no poder enquanto o povo ainda não acordar da hibernação. O recurso à guerra, fraude eleitoral, à desqualificação do outro e aos assassinatos políticos, o desprezo pelos mortos e a valas comuns para enterrarem os seus próprios soldados e a suspeitos mortos na calada da noite constituem um sinal claro do fim de um regime corrupto e moribundo que se socorre do medo para sobreviver.

A expulsão da Frelimo do poder, onde se encontra desde 1975, é uma necessidade histórica e inadiável para que a Independência e a liberdade sejam um dado adquirido, negadas pelos Acordos de Lusaka em que o então governo de Portugal vendeu o povo moçambicano a um grupo de ditadores marxistas-leninistas que se atreveram introduzir as leis de chicotadas e pena de morte e os acusados eram julgados por um tribunal sem apelação e composto por juízes, maioritariamente, analfabetos.  

sábado, 30 de abril de 2016

Corruptos são contra paz



Temos vindo a perguntar a várias personalidades da vida política nacional moçambicana o que poderia ter feito para evitar que o país não voltasse à situação de instabilidade política e à guerra como a que presentemente Moçambique esta a passar.
Achamos que seja pertinente ouvir outras sensibilidades políticas, e não só, o que poderiam fazer para assegurar a paz, estabilidade e o desenvolvimento sócio-económico visto que nenhum país se pode desenvolver quando seus recursos econômicos e financeiros estão orientados para o esforço de uma guerra, por isso, a paz é a palavra de ordem que deve conduzir os passos dos políticos.
A paz não é nenhum dado adquirido mas deve ser uma conquista permanente dos gestores da coisa pública e a maior responsabilidade cabe, logicamente, ao chefe de estado. Assim, já abordamos este tema com Mahamaudo Amurane, edil do Conselho Municipal de Nampula, de seguida ouvimos Daviz Simango, líder do Movimento Democrático de Moçambique e presidente do Conselho Municipal da Beira. Agora é a vez do Professor Manuel de Araújo, edil da Cidade de Quelimane.
Se fosse Presidente da Republica o que faria para evitar a guerra?
Manuel de Araújo – Em primeiro lugar, eu criaria uma comissão que envolvesse pessoas de vários estractos sociais, incluindo partidos políticos, centros de pesquisa, que é para reflectirmos sobre o problema, fazendo uma leitura imparcial sobre as causas do conflito. O que acontece hoje em dia é o que chega ao Presidente da República é uma leitura dos pensadores de um partido político, portanto, não é uma leitura isenta. O cargo de Presidente da República requer leituras isentas porque ele deve estar acima dos partidos políticos.
O nosso maior problema consiste no facto de que as decisões que o chefe de estado toma tem sempre em conta os interesses de um determinado partido politico e não no interesse de todo o povo, contra os demais partidos e não no interesse nacional.
O conceito sobre o interesse nacional deve voltar à baila e infelizmente no nosso país não existem muitas escolas que ensinam o que é isso de interesse nacional, onde começa e termina o interesse nacional. Os corruptos são pela guerra, são contra a paz.
A partir do dia em que tivermos uma visão do que é interesse nacional, em Moçambique, porque o interesse nacional deve estar acima dos interesses particulares e, sobretudo, acima dos interesses dos partidos políticos.
Algo pode ser mau para o meu partido, mas se for do interesse nacional, eu devo defender isso, mesmo que seja contra os interesses do meu partido ou do meu grupo de interesses. Se fizermos uma leitura isenta sobre as reais causas do presente conflito, aí teremos a lupa para descobrirmos os verdadeiros caminhos que nos levem à paz.
Não vejo qual é o problema porque, neste momento, nós estamos num impasse porque uma das partes exige a mediação internacional e a outra não quer. Perguntamos qual é o problema de termos uma mediação internacional? Que eu saiba, todos os acordos que foram realizados neste país tiveram uma mediação internacional. Por exemplo, o acordo da paz, o de cessação das hostilidades militares teve mediação internacional. Porquê hoje há medo da mediação internacional?
A nossa História ensina-nos que, sempre que discutimos entre nós, não chegamos a lado nenhum. Portanto, a negação da mediação internacional, para mim, significa, implicitamente, a negação da paz. Eu já venho dizendo que o Presidente Filipe Nyusi tem uma característica própria. Ele pisca para a esquerda mas vira para a direita e isso cria acidentes, por vezes, bastante graves. Estamos neste acidente que é a guerra.
Quem criou as condições para que houvesse esta Guerra, sabia muito bem o que estava a fazer. A guerra não é nenhum acidente. Não é algo que acontece acidentalmente, por acaso. O surgimento desta guerra foi preparada, foi bem planificada.
Há pessoas que estão a ganhar com a guerra. Os generais que tinham perdido o poder, agora estão a ganhar muito dinheiro com o sangue do povo. Alguns dos generais estão a ficar muito ricos com esta guerra que promoveram. Hoje têm o poder de requisitar fundos, combustíveis para o seu uso particular.
Quanto mais demorarmos chegar à paz, mais difícil vai ficando para os convencermos sobre a necessidade da paz porque eles já ganharam o vício de acumular riqueza com base na guerra, vivem dos espólios da guerra.
É importante que o problema da guerra seja resolvido agora antes que eles criem raízes profundas. Uma erva daninha deve ser retirada agora porque quanto tarde for, será difícil porque terá criado raízes profundas. O hábito de roubar e de praticar a a corrupção cria hábitos nas pessoas e serão elas que não terão interesse na paz.
A paz que tivemos até aqui foi uma paz armada, ou seja, não tivemos uma reconciliação, como foi na África do Sul, através da comissão da verdade e de outros passos que foram tomados. Se for a ouvir com certas pessoas da linha dura da Frelimo, há-de notar que ate agora ainda não aceitaram que os membros da Renamo sejam moçambicanos quanto eles. Eles continuam a ver na Renamo uma organização de bandidos armados. Intensificou-se a linguagem da “guerra da desestabilização” quando se referem-se da guerra dos 16 anos.
No período de Joaquim Chissano, essa linguagem não era frequente, mas agora está na ordem do dia, na desqualificação do outro. O termo “Guerra da desestabilização” havia desaparecido do vocabulário político nacional, mas agora já voltou. Eles nunca aceitaram que os que estão do outro lado da trincheira são tão moçambicanos quanto eles.
Se tu não aceitas que o outro tem os mesmos direitos e as mesmas oportunidades, começa a discriminá-lo. É o que temos estado a ver todos os dias, no nosso país. Dizes que tudo o que outro pensa não é legítimo e começas a dividir os cidadãos de primeira classe, da segunda, da Terceira, etc.  não se pode ter uma reconciliação nacional enquanto tiveres cidadãos da primeira, da segunda, da Terceira…
Temos que fazer um TPC de modo a entendermos o que devemos fazer para aceitarmos a diferença, aceitarmos o outro que pensa de maneira diferente da nossa. Se conseguirmos este exercício, veremos o outro como nosso irmão e não um inimigo a abater. Daí passarei a ouvir o outro com ouvidos de ouvir e não com ouvidos de mercador, como tem sido. Quando desqualificas o outro, não podes ouvi-lo, mas finges ouvi-lo. Como pode ouvir a quem chamas de bandido?
Como tu queres negociares com o outro que desqualificaste? – Não é possível. Por isso, a Renamo requer uma mediação internacional como forma de se requalificar porque sabe que o outro do lado, não o vê como um parceiro da paz, não toma de igual para igual.
Não sei se o governo tivesse aceitado a exigência da Renamo sobre os governadores para as províncias em que venceu as eleições teria parado a Guerra. Sei apenas que teria esvaziado os argumentos que a Renamo sustenta. Teria sido um verdadeiro golpe de mestre. Se fosse o Presidente da República, eu não hesitaria em nomear os governadores da Renamo e depois iríamos ver os conflitos que isso iria gerar dentro da Renamo.  
Qual seria o critério da selecção dos governadores? Isso poderia criar problemas na Renamo porque há alguns que estão à espera há mais de 20, 30 ou 40 anos para ocuparem aquele cargo governamental. Seria um desafio pensarmos o dia a seguir à nomeação de governadores da Renamo, afirmou Manuel de Araújo.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Paz do partido Frelimo

A paz verdadeira resulta do aceitar do outro, é um ponto médio do aglutinar das vontades de todos os sectores da sociedade e nunca da vontade de um grupo restrito de pessoas. Quem nãoa ceita o diferente, não é pela paz por muito que fale dela e finja gritar por ela. Quem não tem espaço para o diferente, é contra a paz e estabilidade socioeconómica. A paz que a Frelimo quer impôr ao país e ao povo moçambicano é do medo da pólvora das metralhadoras.
É uma paz militar imposta pela força dos canhões, tanques e blindados. A paz que surge como resultado das emboscadas aos adversários políticos, com recurso às forças armadas do Estado, dos assassinatos de politicos e de pessoas influentes é uma bomba retardada que vai destroçar o país.
A paz que a Frelimo quer é o silêncio dos canhões enquanto a exclusão dos que não pertencem ao partido governamental, intolerância política e o saque dos recursos nacionais continuam a beneficiar, apenas, indivíduos ligados à Frelimo. Que ruma paz que satisfaça os interesses de um só grupo reduzido social, elucidado no slogan “quem não é da Frelimo o problema é dele”.
Quem não é da Frelimo se limita a bater palmas e a cantar mas nunca é chamado à roda, como acontece na dança de xingombela. Xingombela é umadança do sul do país na qual é chamado à roda quem tiver um familiar, compadres, comadre vizinhos e amigos. Quem não tiver alguém que o conheça,passa a noitea aquecer as mãos.
A governação da Frelimo compara-se a uma dança de xingombela. Basta ver quem está a ficar e cada vez mais rico são indivíduos igados à Frelimo.Eles estão em toda a cadeia de exploração do gás natural e carvão, nos bancos, nas centrais de geração de energia eléctrica, e até inventam guerras para acumularem dinheiro fácil com lucros fabulosos.
Os escândalos da EMATUM e a PROINDICUS são exempos que nos permitem ver que os novos ricos são capazes de vender a patria para satisfazerem a sua ambição pessoal.O governo de Armando Guebuza endividou o país em cerca de (850 +787) = 1.637 milhões de dólares para nada. Resolveram os seus problemas estomacais, empurrando o país inteiro para o abismo.
A delegação foi tentare xplicar ao FMI sobre os motivos que pesou para esconder a dívida destinada à compra de armas, mas não conseguiu convencer a ninguém, tanto assim que essa organuização da finança internacional suspendeu a cooperação com o nosso país. Eles pensam que podem enganar o FMI e o Banco Mundial como fazem com o povo moçambicano que se deixa aldrabar por uma mão cheia de amendoim torrado.
Os tipos da Frelimo estão a enterrar cada vez mais o nosso futuro comum.O povo tem que fazer alguma coisa para terminar com isso porque amanhã pode ser tardede mais.A paz da Frelimo é insustentável porque é falsa.Depois de tantas mentiras e esconde-esconde, pensavam que poderiam, também, aldrabar o FMI e Banco Mundial.
Agora estão a fazer contas à vida pelo tamanho da porcaria que andaram a cometer. Precisam da União Europeia para pedir-lhe dinheiro mas quando se trata de resolver o conflito armado que arranjaram, a presença da União Eurpeia é ingerência ou internacionalização do conflito. Isso é uma incongruência.

A Frelimo deseja uma paz sacada a ferro e fogo pelos seus esquadrões da morte que semeiam luto nas famílias moçambicanas, na falsa tentativa de enfraquecer o seu principal adversário, a Renamo, conforme a aestratégia aprendida em Angola, de ir iquidando fisicamente, um a um,osi ntegrantes da oposição e de elementos influentes da sociedade. Não é por acaso que a Frelimo procede de tal forma. Ela abriu um enorme fosso e receia precipitar-se nele quando deixar o poder, por isso, recorre a todos os meios ilícitos para se manter no governo. A violência eleitoral, enchimentos de urnas, o abafamento dos órgãos da justiça e eleitorais servem para se tornarem “invencíveis”, como eles próprios se julgam.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Se fosse Presidente da Republica....


Daviz Simango

Perguntamos ao Presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango, o que poderia fazer para evitar que o país não volte a mergulhar em guerra, pois, é uma pergunta pertinente . Todo o povo quer paz e tranquilidade para que a economia possa se desenvolver e as crianças voltem a sorrir. A Guerra em que estamos, de novo, metidos é uma máquina de fazer dinheiro para uma certa elite política que encontram na Guerra uma forma de fazer dinheiro.
 P – Se o senhor fosse presidente da República, o que faria para o país não voltar a mergulhar em guerra?
Daviz Simango :  Uma das coisas mais simples neste processo seria garantir que todos os actores moçambicanos tenham as mesmas oportunidades. Essas oportunidades criam-se através de uma revisão constitucional que deve passar por garantir uma descentralização efectiva, em todo o território nacional, garantir que os governadores provinciais sejam eleitos.
Moçambique já tem uma boa experiência neste projecto. Existem autarquias onde vários cidadãos estão a exercer os mandatos outorgados pelos munícipes e nelas estão cidadãos de diferentes políticas e ao fim do dia  todos tentam fazer o melhor de si para que o país continue unido.
Temos a experiência em que o Presidente da República é eleito e a Assembleia da República também é eleita. Temos uma experiência incompleto em que temos as assembleias provinciais são eleitas, porem, o governador não é eleito. É complementar essa lacuna, formulando que o governador deve ser eleito. Isso permitiria que, no país, tivesse uma Assembleia municipal eleita e um presidente municipal eleito, uma Assembleia provincial eleita e um governador eleito; uma Assembleia da República eleita e um chefe de Estão também eleito.
Uma outra que é importante neste processo é que haja distanciamento entre os poderes de estado. A Justiça não deve depender do poder político como, alias, acontece hoje no nosso país. Uma justice independente é um factor muito importante quer para o desenvolvimento socioeconômico quer para a chefia de um Estado de Direito Democrático. Portanto, é preciso libertar a Justiça para que possa ajudar a implanter um Estado de Direito e assim reduzir os indices da corrupção e, como sabemos, a corrupção inibe o desenvolvimento de qualquer pais.  A Polícia de Investigação Criminal tem que passar sob a alçada da Procuradoria e não continuar a depender dos comandantes da polícia porque isso concorre para vários crimes que ocorrem não sejam esclarecidos.
Com a Justiça funcional e a descentralização e separação dos poderes podemos ter uma paz efectiva no país. Enquanto isso não acontecer, continuaremos uma paz temporária, sazonal e barulhenta. Enquanto a Justiça não conseguir resolver os diferendos existentes entre os cidadãos com o Estado, continuaremos a nos bate runs aos outros porque o árbitro depende de um dos contendores.
A redução dos poderes do chefe de Estado é fundamental para a estabilidade do país. O chefe de Estado não pode continuar a indicar o juíz-presidente dos tribunais Supremo, Administrativo e do Conselho Constitucional. Nem deve indicar os reitores das universidades e institutos públicos de ensino superior. 
Actualmente o chefe de Estado é um poço de poderes e isso não é bom para um país que se pretende democrático. As universidades e institutos superiores de ensino não devem depender do poder politico. Devem ser independentes para que possam investigar e ensinar com qualidade, disse Simango.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Amurane diz que demolições de construções ilegais vão continuar



Mahamudo Amurane, Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, avisa, em entrevista que nos concedeu, que quem construir à margem da lei, vamos demolir.
Mahamudo Amurane
As demolições têm a ver com infraestruturas que foram erguidas em locais inadequados e sem autorização do município, que não passaram pelo processo de legalização nem pelo plano de pormenores. As nossas cidades, nos últimos 20-30 anos, cresceram de forma desordenada. Hoje  temos bairros extensos e populosos mas sem qualquer via de acesso, e isso é inaceitável. Em caso de necessidade, não podem chegar lá ambulância nem carro de bombeiros. 
Na nossa cidade, em Maputo também eu vi, uma pessoa para passar de um quintal para outro, tem que inclinar a cabeça. Isso demonstra uma desgovernação. O que encontramos é lamentável, por isso, temos vindo a sensibilizar as pessoas que temos a dignidade e a cidade de Nampula não a Ilha de Moçambique em que a gente está confinada e não tem a possibilidade de expansão. A cidade de Nampula tem extensas áreas e não se justifica a actual situação de aglomeração que nos é imposta hoje.
Nampula poderia crescer de forma organizada e estruturada. Aconteceu assim porque as autoridades competentes nunca se deram ao tempo de planificar o ordenamento territorial e está  a custar, neste momento, nas mentes das comunidades quando avançamos com projectos estruturados, sensibilizando que precisamos de parcelar os espaços, abrir as vias de acesso e essas vias não podem ser ocupadas por construções de casas, por muito que não sejam pavimentadas.
Temos vindo a lidar com esta questão e para nós é um grande desafio que temos pela frente em termos de consciencialização das populações porque tinham sido habituadas a viver naquelas condições. Dizemos às  pessoas que são dignas de viver de forma estruturada e organizada, com ruas, mercados e centros de saúde nos bairros.
O Conselho Municipal tem a responsabilidade de desenhar os planos de estrutura e de pormenores. Já avançamos e vamos apresentar à Assembleia Municipal o Plano de Pormenores e esperamos avançar com a sua implementação logo que for aprovado e vamos convidar as comunidades para ocuparem os espaços já estruturados. Isso vai nos possibilitar que tenhamos uma cidade estruturada, disse Amurane.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Mia Couto é demasiado parcial





O escritor moçambicano Mia Couto deveria evitar fazer considerações políticas , para que possa continuar a merecer a consideração e respeito de todo o publico nacional, para que seja uma figura consensual, aceite por todos por não se deixar confundir com nenhuma das partes em disputa política. Porém, tem sido recorrente Mia Couto posicionar-se do lado do partido Frelimo e do seu governo. Nos seus pronunciamentos públicos, Mia Couto não consegue manter-se neutro, sempre procura colocar-se do lado do Frelimo e isso não faz bem para uma figura do tamanho dele que construiu a sua fama com esforço e sabedoria próprios.
Numa agressão externa, seria uma obrigação moral de todos se colocarem do lado do governo para defendermos a pátria ameaçada e quem assim não o fizer, pode correr o risco de ser rotulado de traidor, mas te não é o caso em apreço. Trata-se de uma luta entre irmãos desavindos por razões sobejamente conhecidas – a exclusão de uns pelos outros, da discriminação, em todos os sentidos, quer político, econômico e social, de um grupo pelos outros, e da ganância pelo poder absoluto, não se importando como chegar a ele.
O grupo a que Mia Couto sai em defesa instrumentaliza as instituições públicas, a polícia e o sistema judicial para garantir a manutenção e reprodução do poder. Os órgãos eleitorais, desde o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, Comissão Nacional de Eleiões passando perlo Conselho Constitucional – estão, escrupulosamente, desenhados para garantir a vitória de uns e a derrota, inevitavelmente, de outros, independentemente do sentido da votação. Esta é a razão fundamental do conflito tanto ontem quanto hoje. Outra análise é de muito sérias dúvidas.
Assim, as eleições servem apenas para impressionar ao mundo ocidental que “nós também brincamos às eleições” para o país continuar a receber apoios económico-financeiros e fazer prosperar uma classe empresarial ou, supostamente, empresarial à custa de roubo e gatunagem, depois de um piscar de olho das organizações internacionais como a União Europeia que, de forma reiterada, abençoam a burla eleitoral, transmitindo a mensagem de que há uma democracia para o mundo civilizado e outra para os indígenas africanos. O que eles abençoam como bom para nós, na terra deles nem para a latrina vai porque os seus povos abominam roubos.
Desta vez, Mia Couto diz que a Renamo e Afonso Dhlakama ao colocarem pré-condições para se iniciar o diálogo com o governo e Presidente da República demonstra que não deseja conversar. Pensar de tal modo é uma grande falácia quem ainda se lembra de como o governo quebrou a pouca confiança com a Renamo que ainda prevalecia. Depois de mais de uma centenas de rondas infrutíferas entre as delegações do governo e da Renamo, de duas emboscadas e um cerco à casa do líder da Renamo, numa tentativa de o eliminar, fisicamente, à maneira angolana, seria ingénuo demais que a Renamo aceitasse tudo sem a presence de uma mediação comprovadamente séria e comprometida. 
O que mudou de substancial do lado do governo capaz de alterar a opinião da Renamo e do publico em geral? Eu, pessoalmente,”desconsigo” vislumbrar. Vejo o mesmo governo agindo atrás das mesmas intenções – excluir o diferente. A recente revelação da existência de esquadrões de morte para matar os adversários da Frelimo só pode ser concebido por gente horrível e sem moral. Nem mesmo o sistema colonial havia instituído, em Moçambique, grupos armados para eliminar, pelas cidades, povoados e aldeias, os potenciais adversários do regime como acontece nos nossos tempos de hoje. O colono era mau, na verdade, mas, esses são piores, de facto.
Depois duas emboscadas das forças governamentais, é exigir demais que Dhlakama vá ao encontro dos seus carrascos como se fosse à praia ou a uma barraca tomar uma cerveja gelada e saboreando tremoços. É um exagero intragável. Mia Couto deveria ser mais equilibrado, equidistante das disputas políticas para continuar a ser o patrimônio de todos os moçambicanos, pois, ele é uma referência obrigatória da literatura moçambicana moderna e eu costume ler os livros de Mia Couto com muito prazer. Se continuar a acenar a partir da janela da Frelimo, poderá ser detestado por muitos dos seus leitores de hoje.
O tamanho que Mia Couto ostenta hoje custou muito sacrifício a construí-lo e não deve dar ao luxo de derrubar este edifício cultural de maneira leviana para agradar a um grupo de pessoas que se mantém no poder através de truques e malabarismos. Mia Couto é um grande escritor que extravasa as fronteiras nacionais, por isso, deveria ser mais cauteloso para se deixar enlamar de qualquer maneira em questões políticas polêmicas, a menos que tire algum proveito disso.
Politicamente, pouco se poderia esperar do posicionamento de Mia Couto porque, em 1974 e nos anos subsequentes à Independência Nacional, ele fez parte do grupo que combatia o multipartidarismo, por emoção do momento ou convicção própria. Muitos que assim procederam, com o tempo foram mudando e, hoje, tomam outros posicionamentos públicos. Mudar porque as circunstâncias mudaram, é sempre bom e uma atitude de louvar. Até Judas Iscariotes mudou de opinião, por isso, se foi enforcar quando, pouco depois, se apercebeu o sua atitude de se deixar vender por 30 moedas levaria Jesus Cristo, o seu Mestre, à morte certa.
Mia Couto, que hoje recrimina Dhlakama, não condenou através da sua voz nem através da sua principal arma – a pena – as emboscadas que as forças governamentais o submeteram. O perigo cerco à sua residência, na Beira, não mereceu uma palavra de repreensão ao partido Frelimo e ao seu governo, mas, não hesitou em dizer que a Renamo e Dhlakama não querem paz. Mia Couto não viu nenhuma gravidade nas atrocidades a que as populações de Moatize e Tsangano estão sujeitas pelas forças governamentais que as obrigam a procurar refúgio e sossego no Malawi.     
De forma nenhuma eu pretendo cercear a liberdade de opinião de Mia Couto, como alguém pode pensar, mas entendo que a opinião emitida por Mia Couto já foi formulada por muitos outros mas nunca teve o impacto como foi da vez do nosso escritor. Os demais podem repetir isso mil vezes ao dia e ninguém ouvir nada porque a voz deles não chega aos céus. A diferença reside, exactamente, aí: Mia Couto é uma grande figura social, não deve participar da divisão do povo. Mia Couto não é uma figura qualquer. Basta uma palavra sua para inundar o mundo, por isso, livrar-se de gente procurada pelo Tribunal Penal Internacional, acusada de violação dos direitos humanos seria um passo importante passo.